Sempre que der
Mande um sinal de vida de onde estiver dessa vez
Qualquer coisa que faça eu pensar que você está bem
Ou deitada nos braços de um outro qualquer que é melhor
Do que sofrer…
Você, beleza rara de se ver
Mágica música no tom
Uma escultura de Debret
O meu poema de Drummond…
Capitu comentou que meus sonhos não eram tão bonitos quanto os dela, fui obrigado a concordar, mas retruquei, sem pensar, que eram tão bonitos quanto a pessoa que sonhava.
Nós morremos aos poucos. Morremos a cada dia que passa, a cada vontade negada, a cada mentira contada, a cada vez que nos decepcionamos. Morremos porque a vontade de viver vai embora com todo mundo que passou pela gente. Morremos porque precisamos de pessoas que sabem viver sem a nossa companhia e não apenas sobreviver. A gente morre, quando a alegria se vai e sem opção nos entregamos a rotina. A gente morre quando nem vontade de morrer a gente sente mais. A morte não pode ser definida como boa ou péssima ao mesmo tempo que queremos estar aqui queremos morrer e nos livrar de tudo. Ninguém entende a mente perturbada de um ser humano, ninguém sabe o que se passa ali dentro, e quando a morte passa por perto, nesse momento notamos o quão a vida é perfeita e que os problemas por mais sérios que sejam não são nada perto do “risco” do fim dela.
E apesar de rir e fingir que não me importo, eu me importo sim. Tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos.
Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda chuva contra um raio. Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e atos. Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Lembro-me de quando lhe conheci. Logo de primeira pensei “Que garoto estiloso… Gostei do tênis dele!”, fiquei te fitando e você nem percebeu, ou se percebeu não retribuiu o olhar, evitando que eu ficasse avermelhada. Os dias se passaram, amigos em comum surgiram, e eu a cada dia descobria um pouco de ti com meu olhar. Comentava comigo mesma cada detalhe. No nosso primeiro e minúsculo dialogo logo me deixou envergonhada e sem jeito. Quando seus olhos penetraram nos meus, um olhar fascinante, envolvente e com ternura. Senti-me despida com o seu sorriso tão bem alinhado e que fazia ter a sensação de que meu coração iria parar na tua mão do tanto que pulava… O pior é que parou. O tempo foi passando, cada dia nos aproximávamos mais e nos envolvíamos sem perceber. Quando me puxava pela cintura e colava nossos corações num só ritmo, prensando nossos corpos com mais um de seus calorosos e aconchegantes abraços, me fazendo sentir teu perfume, me proporcionando uma segurança mútua. Eu colocava meus braços ao redor do seu pescoço, sentia meus pés fora do chão e minha cabeça na lua, fechava os olhos e só desejava que ninguém nos interrompesse, era o nosso abraço, o nosso carinho, a nossa paixão secreta. Me recordo do dia do meu aniversario que você chegou no meu ouvido e disse “Hoje você é só minha”, essas palavras soaram como uma suave canção que me fizeram dar pulinhos de alegria (internos). Nossos amigos já insinuavam algo, todos tinham ciência da existência de um sentimento que ia além da admiração e carinho. Quando diziam “O olhar entrega o coração” não mentiam, e foi o que houve, eles leram nosso olhar. Dias depois das mais variadas sensações me vi numa encruzilhada, tinha me apaixonado por ti. Sempre gostei de te olhar fixamente nos olhos, esses cor de mel. Você tapava meus olhos e dizia que quando eu lhe olhava te deixava abobalhado e sem graça, e eu amava isso. “Ele podia “me beijar” era o que passava em minha mente quando sentia tua mão pousando sobre meus olhos, pena que isso nunca aconteceu. Fomos aos poucos nos afastando, essa situação estilhaçava meu coração, não sabia a razão disso estar acontecendo. Você passou a me evitar, e eu cada dia sentindo ainda mais falta do teu abraço, do teu cheiro, da tua presença. Éramos “Romeu e Julieta”, impedidos pela circunstância. Assumimos nossa paixão entregues pelo coração, sacaneada pelo destino e entregue ao léu.